O câncer de colo de útero no Brasil

quarta-feira, 16 de junho de 2021

No Brasil o câncer de colo uterino ocupa o terceiro lugar entre as neoplasias malignas entre as mulheres com 15,43 casos por 100.000 mulheres ao ano e o quarto em mortalidade.

Nas ações de rastreamento deste câncer em mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos, de forma organizada com citologia oncótica cérvico-vaginal e intervalo trienal, com cobertura de 70% desta população, há redução significativa da sua mortalidade com cifras inferiores a 2 mortes por 100.000 mulheres ao ano.

No Brasil pelo sistema público, o rastreamento é feito exclusivamente pela citologia oncótica. As diretrizes de rastreamento publicadas em 2017 ditam rastrear as mulheres de 25 a 64 anos por citologia oncótica com intervalo trienal, após 2 exames normais.

A prevenção primária é feita com a vacinação profilática contra os principais tipos de HPV que estão associados ao câncer de colo de útero em mais de 70% dos casos. No Brasil temos mais de 30 milhões de brasileiros na faixa de 10 a 19 anos. Esses adolescentes têm o direito à vacinação estabelecido pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).

As coberturas vacinais atuais são insuficientes para garantir uma proteção futura para essas crianças e adolescentes. Uma estratégia importante é unir o rastreamento de mulheres acima de 25/30 anos com biologia molecular (um único teste) e associar as chamadas para vacinação simultânea de seus filhos adolescentes.

Temos uma ferramenta importante que é o cadastro de auxílio federal que é o bolsa família. Com esse cadastro poderíamos organizar a chamada de rastreamento e vacinação. Vacinar adolescentes fora do ambiente escolar mostrou-se ineficaz, mas a mãe ser chamada para rastreamento e vacinação de seu filho pode ser um estímulo a ser experimentado.

Em 2014 o Programa Nacional de Imunizações (PNI) introduziu a vacina quadrivalente para meninas de 9 a 14 anos em esquema de duas doses com intervalo de 6 meses. Em 2017 o programa passou a contemplar também os meninos de 11 a 14 anos também no esquema de duas doses.

Na primeira dose, no primeiro ano de implantação a cobertura foi mais de 80%. Na segunda dose, quando o governo retirou das escolas e transferiu para as unidades de saúde, houve queda expressiva das coberturas.

Nos anos subsequentes as coberturas vêm caindo refletindo o pouco interesse nesse importante momento de pandemia. Para os meninos as coberturas são insuficientes e são necessárias estratégias por parte de profissionais, educadores e os pais para expandir o alcance dos programas de vacinação.

Em 2020, de janeiro a julho, a mortalidade por câncer invasor de colo do útero esteve entre 25 a 30 óbitos por mês (uma morte a cada 24 horas) em todo estado do Amazonas, e as coberturas vacinais caíram a níveis preocupantes.

O governo do Amazonas suspendeu os procedimentos de tratamento devido à pandemia e devemos ter um impacto importante na mortalidade nos próximos meses.

O câncer do colo do útero é um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, mesmo sendo uma neoplasia evitável, com base em medidas de prevenção primária (vacina contra o HPV) e prevenção secundária (exames de rastreamento) de comprovada eficácia e efetividade.

No Brasil, devido as distintas características socioeconômicas e culturais encontradas que são capazes de gerar um cenário em que coexistem fatores relacionados à pobreza e ao desenvolvimento que compromete o acesso a serviços de rastreamento, diagnóstico e tratamentos oportunos. Consequentemente, as limitações de acesso a serviços de saúde não somente impedem as mulheres pobres de serem diagnosticadas, mas também impossibilitam a oportunidade de receberem tratamento adequado a tempo de se obter a cura.

O sistema público de saúde brasileiro atende 75,32% dos pacientes com câncer, ou seja, cerca de 448.959 casos de câncer foram atendidos na rede pública em 2016. E o Brasil tem apenas 50,8% da quantidade necessária de equipamentos de radioterapia. Salientando, que a radioterapia tem papel importante como tratamento adjuvante ou exclusivo, sobretudo no câncer do colo do útero, conforme a extensão dessas doenças.

Referente aos óbitos, quase nove de cada dez óbitos por câncer do colo do útero ocorrem em Regiões menos desenvolvidas, onde o risco de morrer de câncer cervical antes dos 75 anos é três vezes maior.

Importante salientar as mortes preveníveis de mulheres jovens, quando tratadas adequadamente, no auge de suas vidas laborativas, onde muitas são chefes de família.

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